DA INCERTEZA À ESCOLHA

Mais um aspecto da Inteligência Relacional

Homero Reis

Curiosamente, certos temas nos adotam. Vira e mexe, tratamos deles. Este é o caso dos processos  de decisão e escolha. Vários clientes e amigos me têm abordado com a inquietante questão sobre como fazer a escolha certa, diante das situações que a vida nos coloca.

De saída, quero esclarecer que não existe resposta certa para isso. No entanto, se observarmos o que temos diante de nós, podemos aprender alguns princípios que podem nos orientar nas decisões a serem tomadas e na reflexão sobre nós mesmos. Vamos a eles:

Primeiro – as infinitas possibilidades estão diante de nós. No entanto, somos reféns de nosso modelo mental. Decidimos conforme a “programação” decorrente de histórias de vida, influências de outros, etc. A dificuldade em reconhecer as infinitas possibilidades decorre de ficarmos presos à nossa região de conforto. Diante de muitas alternativas sempre surge a inevitável dúvida: “como saber se estou fazendo a escolha certa?”. Certamente você jamais saberá, mas terá que escolher mesmo assim. Aceite isso e entenda que fazer as escolhas que sempre faz, gera o mesmo resultado. Quem quer que algo novo aconteça, deve fazer uma escolha nova para gerar um fato novo.

Segundo – você sempre terá que fazer escolhas, nem sempre terá todas as informações de que precisa e nunca irá prever ou controlar todas as variáveis e consequências. Esse princípio nos ajuda a acalmar nossas emoções e ansiedades diante das coisas. Devo decidir a partir da ampliação de minha região de conforto, aprendendo com as possibilidades, mas tendo a consciência de que sou eu quem decide e ninguém é responsável por isso a não ser eu mesmo. 

Terceiro – certo ou errado são categorias menos significativas do que ser capaz de sustentar as escolhas. Quando decidimos devemos ter consciência das implicações da decisão em termos de nossa capacidade de sustenta-la no tempo e no espaço. Não ser capaz de sustentar uma decisão é o que explica porque muitos de nossos projetos começam e não terminam. 

Quarto - toda escolha vai gerar um pouco de frustração. Não se pode voltar atrás para se refazer uma escolha. Corrigir algo decidido é uma nova decisão. Isto cria em nós a sensação de que uma outra escolha poderia ter sido melhor. Lembrete: isso é fantasia mental e não uma possibilidade. 

Conviver com um certo grau de frustração faz parte do jogo da vida relacional e é componente da saúde e da maturidade. Fazer escolhas é tomar decisões dentro dos espaços de possibilidades.

Ampliar nossa visão dessas possibilidades é aprender. Sustentar o que aprendemos é nos garantir integridade na vida. Definir caminhos é o que nos possibilita viver na dimensão da esperança e do encantamento, e isso é o que torna a vida fantástica, o que não significa que ela é fácil.

Reflitam em paz!


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